terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Camisa Colorida

Descoloriu...
Os dias de sol na praia do Leblon
Os dias chuvosos debaixo do edredom
Descoloriu o que restava
Descoloriu o batom

Descoloriu a camisa que te dei
Descoloriu nosso som
As nossas risadas e as juras de paixão
Descoloriu a vida vivida,
O amor não

Descoloriu a cor dos beijos
A cor dos cabelos
E o toque das suas mãos

Descoloriu os dias que vivíamos sem pressão
Sem pressa descoloriu nosso mundo
Que pintamos de ilusão

Preto no branco
Sobrou pouco
Do que era tanto

Descoloriu nós dois

Branco no preto
Faltou o agora
Pro nosso depois

Descoloriu o que era vital
Virou cinema  mudo nosso musical
Sem cor a rosa nao é rosa
E nem eu sou amor

domingo, 7 de agosto de 2011

Amanhã Ainda é Cedo

As gavetas, o quarto, a alma
Joguei tudo pro alto
Em silêncio,
Sem estardalhaço

Meu coração de trás pra frente
Você desvendou
Eu sou prisoneira,
Sou prisoneira desse amor

Qual sinal eu espero
Que nunca vem?
Uma benção, um decreto
Qualquer coisa do além

Eu fecho os olhos pra te ter aqui
Mas não ouso me mexer
Aquilo que não se tem
Não se pode perder

Eu exagero cada virgula
Cada sinal que atravesso
Cada esquina que me perco
Cada rima que eu esqueço

Eu to esvaziando
As gavetas, o quarto, a alma
Pra te receber em paz
Onde sempre foi seu lugar

Eu ainda não sei esse caminho
Ainda não abri os olhos pro amanhã
Mas seja o que for
Que seja amor, como a gente quer

Eu to esvaziando
A estante, o armário, o coração
Eu não preciso de um sinal,
Preciso de tempo.

Amanha ainda é cedo.


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Não sei se esse poema é o melhor pra começar, mas como foi o último e ainda tá quentinho no caderno, acabou sendo o escolhido. Boa semana!